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Oi... Eu sou a Andréia, tenho 26 anos e moro em Mandaguari, interior do Paraná. Resolvi iniciar esse blog porque às vezes sinto necessidade de extravasar o que penso e sinto. Sou uma pessoa que procura aprender a cada dia que passa e crescer com cada aprendizado. Gosto de ler, ouvir música, namorar, bater papo, colo de pai e mãe, "brigar" com os meus irmãos... não necessariamente nesta ordem... rssss Espero que vocês gostem do blog e sintam-se à vontade para comentar os posts (pode ser comentários bons ou ruins, o que importa é a interação). Vou me esforçar para postar só coisas interessantes... pelo menos para mim... rssss Beijo da Déia : )


Antes do governo
dizer, eu já
sabia que:
O MELHOR DO BRASIL
É O BRASILEIRO!!!







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Créditos:



 

O CORVO

          (Edgar Allan Poe)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

(Tradução de Fernando Pessoa)


Escrito por Déia às 08h59
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Valsinha

(Vinícius de Moraes)

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a a só num canto, para seu grande espanto convidou-a pra rodar


Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar


E lá dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos


Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que todo mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

*************************************************************************************

Apelo

(Dalton Trevisan)

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz da varanda.

E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

 

Talvez se o marido do conto do Dalton fizesse como o marido do poema do Vinicius, ele não teria sido abandonado...

É preciso valorizar as coisas que temos antes de perdê-las... pois depois dificilmente conseguimos recuperá-las e quando conseguimos nunca mais é como antes.

Se a Senhora de Dalton voltar, o amor que ela sente/sentia pelo marido jamais será o mesmo... alguma coisa foi quebrada e por melhor que seja colada, os remendos sempre existirão... 



Escrito por Déia às 12h32
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Eu dei um pulinho no www.contosdacorrente.blogger.com.br e

fiquei com vontade de expor um conto que eu gosto muito...

Como ele é muito longo, vou só pôr o link, OK?

 É o Venha ver o pôr-do-sol da Lygia Fagundes Telles.

Como eu disse, ele é um pouco longo para ser lido no PC,

mas vale a pena.



Escrito por Déia às 17h35
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As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos

Mulheres são como maçãs em árvores.
As melhores estão no topo...
Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar.
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está
errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados...
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar...
aquele que é valente o bastante para escalar até
o topo da árvore.

Este texto eu recebi por e-mail e achei muito interessante e verdadeiro... Não faço a menor idéia de quem é a autoria.



Escrito por Déia às 12h54
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           Cântico negro

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com olhos doces,
estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.
Não,não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repeti: “vem por aqui”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar aos pés sangrentos,

A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para deflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem


Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os Abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe.
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “VEM POR AQUI”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!

(RÉGIO, José. Cântico Negro.
In: MOISÉS,Massaud, op. Cit,p.483.)


Escrito por Déia às 12h54
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          Dialética

                        (Vinicius de Moraes)

É claro que a vida é boa

E a alegria, a única indizível emoção

É claro que te acho linda

Em ti bendigo o amor das coisas simples

É claro que te amo

E tenho tudo para ser feliz

 

Mas acontece que eu sou triste...



Escrito por Déia às 10h45
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"Sabe o que é melhor que ser bandalho ou galinha? Amar. O amor é a verdadeira sacanagem." (Tom Jobim)

Ah, Tom... que sacanagem!!!



Escrito por Déia às 12h50
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Por falar em ânsia... hoje comecei a tomar meus medicamentos novamente...

Anti-siolítico e anti-depressivo... e eu jurava q tinha melhorado...

Mas minha médica me diz com ares superiores: Vc melhorou 70, 80% e como parou

com os medicamentos, voltou a se sentir deprimida e ansiosa. Vc não deve interromper

o tratamento até estar 100% melhor.

Então tá... mais uma forma de prisão p mim...

Ah, alma... livrai-me de ti e seus anseios...



Escrito por Déia às 12h19
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Mal mastigo... engulo a refeição apressadamente...

Pronto! Terminei... agora tenho o resto do horário do almoço livre...

Livre? Pra que? Olho para um lado: paredes, olho para o outro lado: mais paredes...

Não tem jeito... minha presa, minha ânsia foram em vão...

Vendi meu dia até as 18 horas...

Até as 18 horas sou prisioneira...

Prisioneira porque não tenho opção...

Ou tenho e não sei?

 



Escrito por Déia às 12h14
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Dispersão

    (Mário de Sá-Carneiro)

                  (fragmentos)

Perdi-me dentro de mim

Porque eu era labirinto,

E hoje, quando me sinto,

É com saudades de mim.

 

Passei pela minha vida

Um astro doido a sonhar.

Na ânsia de ultrapassar,

Nem dei pela minha vida...

(...)

Às vezes é assim que me sinto: parece que eu já perdi tanto da minha vida!!!

Às vezes me bate uma vontade louca de viver mais intensamente... mas sempre

tem algo que me segura, me prende... Sei lá... convenções sociais de repente...

E medo... medo de viver sem medo... Admiro quem consegue isso.

Ao mesmo tempo parece que quem vive assim não é feliz como nós imaginamos...

Sei lá... parece que falta alguma coisa... Talvez eles também tenham medo...

medo de estarem vivendo sem medo...



Escrito por Déia às 11h26
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